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Separadas por 40 anos, amigas se reencontram após busca com auxílio de órgãos municipais de Juazeiro, BA

Em busca de amiga, mulher viaja de São Paulo a Juazeiro, aguarda quase um mês pelas buscas e reencontro com ajuda de órgãos do município emociona família: “Nós recebemos a informação que ela havia falecido há 10 anos”.


Foto: Reprodução | 


Um reencontro emocionante entre duas amigas foi viabilizado com o apoio da Guarda Civil Municipal e da Assistência Social após uma separação de 40 anos, em Juazeiro, na Bahia, relata a assessoria da PMJ.

A amizade construída na adolescência e interrompida pela distância geográfica ganhou um novo capítulo na cidade baiana. Quatro décadas após se separarem, duas mulheres que cresceram juntas no bairro João Paulo II, voltaram a se encontrar em um momento marcado por lembranças e afeto, relata a Guarda Civil Municipal em contato com a Rede Seta.

| Histórico da amizade e a separação na juventude


Na juventude, Dona Odete de Alcântara e Dona Terezinha Silvana Lima mantinham uma relação de grande proximidade que ultrapassava os laços familiares. A proximidade era tamanha que Dona Odete convidou a amiga para batizar seu filho. Anos depois, em razão de um desentendimento com o companheiro, Dona Terezinha precisou deixar a cidade baiana e seguir para São Paulo.

A mudança ocorreu por necessidade e não por vontade própria, gerando o desejo constante de retorno ao longo do período em São Paulo. Quarenta anos se passaram até que ela decidiu voltar ao município baiano com o objetivo principal de rever a amiga que permaneceu em suas lembranças durante todo esse tempo, relata a instituição. "Na verdade, eu não queria ir. Foi porque foi necessário. Desde que cheguei lá, já senti aquela saudade de voltar para Juazeiro, mas decidi ficar por todo esse período", explicou Dona Terezinha.

| Atuação da Guarda Civil Municipal e da assistência social


Na chegada a Juazeiro, Dona Terezinha manteve contato com a inspetora Ivanilde Pereira, integrante da Patrulha Maria da Penha da Guarda Civil Municipal. A equipe havia sido acionada para atender uma ocorrência na rodoviária e tomou conhecimento da história durante o atendimento. "Nós recebemos um chamado de um caso de violência doméstica na rodoviária de Juazeiro e, quando estávamos lá, Dona Terezinha nos chamou e contou que havia vindo de São Paulo para rever uma amiga que não via há 40 anos", relatou a inspetora.

A corporação acionou a Unidade de Acolhimento Transformar, serviço municipal que oferece proteção social a pessoas em situação de vulnerabilidade. Dona Terezinha solicitou apenas que não fosse encaminhada a um abrigo definitivo, pois sua prioridade era encontrar a amiga. "Quando falei para Dona Terezinha que eu estava em contato com a equipe do centro de acolhimento, ela pediu que não a deixasse em nenhum abrigo, pois queria ficar era com a amiga. Eu prometi que nós iríamos ajudá-la", contou a inspetora GCM.

Na unidade de acolhimento, a moradora temporária recebeu proteção social, moradia provisória e acompanhamento psicológico e de saúde enquanto as buscas eram realizadas, segundo informa o órgão.

| Localização de Dona Odete e o reencontro emocionante


O coordenador social da Secretaria de Desenvolvimento Social, Diversidade, Igualdade Racial e Combate à Fome destacou a repercussão do caso entre os servidores municipais. "Recebemos Dona Terezinha e ficamos emocionados com tamanha amizade. Uma pessoa com 74 anos de idade viajar três dias dentro de um ônibus para rever uma amiga de longa data é algo que nos marcou. A partir das lembranças que Dona Terezinha compartilhava sobre seu passado e sobre as pessoas que conhecia, fomos ligando as informações cerca de um mês depois conseguimos encontrar Dona Odete e realizar esse momento tão emocionante, que foi o reencontro entre duas amigas", destacou Joel Miranda.

A partir de relatos e memórias compartilhadas sobre o passado, as equipes conseguiram localizar Dona Odete cerca de um mês depois, viabilizando o reencontro na residência dela.

O abraço que marcou o momento reuniu décadas de saudade e histórias. "Eu pensei que nunca mais ia ver a minha amiga e comadre. Fiquei sem acreditar que era ela ali na minha frente", contou Dona Odete, emocionada com o reencontro.

A família de Dona Odete mantinha a informação de que Terezinha havia falecido há cerca de 10 anos, tornando o momento surpreendente para todos os presentes, relata a administração municipal. "Quando ela chegou com o pessoal da Guarda Civil Municipal, ficamos sem acreditar, porque a informação que tinha chegado até nós era de que ela tinha morrido há cerca de 10 anos", relatou Dona Ivanilde Alcântara, filha de Dona Odete.

| Novos desdobramentos e a moradia definitiva


Após o reencontro, a intenção inicial de alugar uma residência para permanecer na cidade foi recusada por Dona Odete. "Ela disse que queria alugar uma casa, mas eu disse que não. Que ela ia ficar morando aqui com a gente. Minha filha, que cuida de mim, também ia cuidar dela", afirmou Dona Odete.

A decisão conjunta estabeleceu que a amiga passará a residir na mesma casa, contando com os cuidados da família local.

A trajetória iniciada na adolescência e interrompida por milhares de quilômetros encontrou um novo recomeço, provando que determinados laços resistem ao tempo e à distância.

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