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Expansão do crédito vem acompanhada de endividamento recorde, alerta presidente do Banco Central

Foto: Reprodução 

O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou nesta segunda-feira (24) que não é possível comemorar o crescimento da oferta de crédito e, ao mesmo tempo, ignorar o aumento do endividamento das famílias brasileiras.

A declaração foi feita durante a abertura da Febraban Tech 2026, em São Paulo. As informações são do Portal InfoMoney e foram publicadas pela Rede Seta.

Segundo Galípolo, o aumento do endividamento está diretamente relacionado à expansão do crédito e ao uso pouco consciente de alguns produtos financeiros. O processo ganhou força com a ampliação da inclusão bancária, especialmente entre a população de menor renda, impulsionada também pela popularização do Pix.

“Não dá pra ficar contente com a notícia de que o crédito cresceu e depois reclamar que o endividamento cresceu”, afirmou o presidente do BC.

Apesar do cenário de melhora em alguns indicadores econômicos, o endividamento das famílias atingiu nível recorde. A renda disponível chegou a R$ 822 bilhões em maio de 2026, enquanto a taxa de desemprego recuou para 5,4%. Ao mesmo tempo, o comprometimento das famílias com dívidas alcançou 49,8% da renda anual.

Para Galípolo, o desafio agora é garantir que a expansão da inclusão financeira seja acompanhada por maior responsabilidade no uso dos produtos bancários.

“A inclusão financeira é essencial e já ocorreu. Agora é importante que a gente consiga ter o uso responsável dos produtos financeiros”, disse.

O Banco Central também pretende atuar na regulação do ambiente competitivo entre as instituições financeiras, buscando garantir que os bancos considerem adequadamente os riscos envolvidos na concessão de crédito.

Cartão de crédito preocupa

Entre as modalidades que mais preocupam o Banco Central está o cartão de crédito. Atualmente, 96 milhões de brasileiros utilizam essa modalidade, e 52,8 milhões possuem dívidas sujeitas a juros, seja no crédito rotativo ou no parcelamento.

Segundo os dados apresentados, esses consumidores comprometem, em média, 54% da renda com despesas no cartão. A taxa média de juros do rotativo chega a 15,1% ao mês, enquanto o parcelamento com juros apresenta média de 9,3% ao mês.

Além do cartão, o Banco Central acompanha o crescimento de modalidades como o consignado privado e o crédito pessoal sem garantia.

O crédito consignado privado cresceu 145% em um ano e chegou a R$ 102 bilhões. Já o crédito pessoal não consignado alcançou R$ 397,2 bilhões, após crescimento de 188% desde 2020.

Galípolo ressaltou, porém, que nem todo endividamento representa necessariamente um problema. Segundo ele, financiamentos utilizados para adquirir bens que se tornam patrimônio, como uma casa, são diferentes de dívidas contraídas para financiar apenas o consumo.

“O problema é estar endividado com algo que não constitui ativo, com um consumo efêmero”, afirmou.

O presidente do Banco Central resumiu a preocupação da instituição diante do cenário atual: apesar da renda em alta e do desemprego em queda, o nível de endividamento das famílias continua avançando, acompanhado pelo crescimento da inadimplência.

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