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'Usei aliança falsa para ser respeitada. Os assédios ficaram mais sutis': mulheres contam como driblaram julgamentos na carreira


Interrupções, desconfiança e assédio continuam marcando a trajetória de muitas mulheres jovens no ambiente profissional. Relatos mostram estratégias adotadas para enfrentar julgamentos e situações de preconceito.


Carolina Nucci, jornalista de automobilismo, lembra de quando precisou provar sua presença em uma coletiva de imprensa em Interlagos, mesmo estando credenciada. Para tentar se proteger, usou uma aliança falsa de compromisso no início da carreira. “Não inibiu, mas os assédios ficaram mais sutis”, conta. Ao longo da trajetória, enfrentou rótulos pejorativos, desconfiança e desigualdade salarial. Mais tarde, ao migrar para outras áreas, ouviu que “não era lugar de menina” e percebeu diferenças no tratamento em relação à maternidade.

Mariam Topeshashvili, gerente de uma agência internacional, também enfrentou julgamentos. Nascida na Geórgia e criada em uma favela no Rio, construiu carreira com formação em Harvard, mas ouviu comentários irônicos e sarcásticos que colocavam em dúvida sua capacidade. Ser jovem, mulher, estrangeira e falar em uma terceira língua a colocava em constante avaliação. “Eu me sentia um patinho fora d’água”, relata.

Essas experiências individuais refletem dados do relatório Women in the Workplace, da McKinsey & Company em parceria com a Lean In. Entre mulheres com menos de 30 anos, quase metade afirma que a idade já impactou negativamente suas oportunidades de trabalho. Além disso, 36% dizem ter perdido aumentos ou promoções por esse motivo, contra 15% dos homens. Apenas 29% dos cargos de alta administração são ocupados por mulheres. O estudo também aponta que microagressões — como interrupções, questionamentos sobre competência e confusões hierárquicas — são comuns. 37% das mulheres afirmam ter sofrido assédio sexual ao longo da carreira.

Pesquisas da Todas Group e da Nexus reforçam o cenário: 56% das lideranças femininas acreditam que homens deveriam interromper falas machistas de colegas, mas apenas 35% relatam já terem sido defendidas por homens em situações de preconceito. Para especialistas como Ana Fontes, fundadora da Rede Mulher Empreendedora, e Dhafyni Mendes, cofundadora da Todas Group, o machismo estrutural e o etarismo são barreiras que afetam diretamente a segurança psicológica e o desempenho das mulheres.

O impacto é profundo: ambientes percebidos como injustos aumentam a taxa de demissão voluntária e contribuem para o esgotamento profissional. O chamado “degrau quebrado” — dificuldade de conquistar a primeira promoção para cargos de liderança — amplia a desigualdade nos níveis mais altos da hierarquia.

Diante desse cenário, entrevistadas defendem denúncia, redes de apoio e planejamento de longo prazo. Mariam aconselha: “Não deixe essas situações passarem. Informe seu gestor”. Carolina reforça: “Precisamos mostrar que isso é errado”. Ambas destacam a importância da mentoria e da solidariedade entre mulheres. Para Ana Fontes, buscar conhecimento e demonstrar preparo são estratégias fundamentais para enfrentar julgamentos e conquistar respeito.

Com informações do G1.

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