O escândalo envolvendo o Banco Master ganhou novos contornos com a revelação de que a organização mantinha um núcleo clandestino voltado para intimidação e espionagem. Segundo documentos da Polícia Federal, o grupo denominado “A Turma” chegou a discutir agressões físicas contra jornalistas, incluindo Lauro Jardim, de *O Globo*. A sugestão partiu do próprio ex-dono do banco, Daniel Vorcaro, que teria ordenado ao jagunço Luiz Mourão, conhecido como “Sicário”, que “quebrasse todos os dentes” do profissional.
As investigações apontam que Mourão, junto a um ex-policial, invadia sistemas de órgãos federais, monitorava alvos e manipulava plataformas digitais para limpar a imagem pública do banco e de Vorcaro. Além disso, editores teriam recebido pagamentos para publicar conteúdos favoráveis. O esquema também envolvia Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, preso preventivamente por organizar os pagamentos da quadrilha. Mourão, por sua vez, cometeu suicídio no dia 4 de março, segundo a PF, ampliando o choque em torno do caso.
As apurações revelaram ainda a corrupção de dois servidores do Banco Central, já afastados e agora suspensos judicialmente, sob vigilância eletrônica. Diante das evidências da formação de uma milícia privada, causou estranheza a postura do procurador-geral da República, Paulo Gonet, que pediu mais tempo para analisar o pedido de prisão da PF. O ministro André Mendonça, do STF, rejeitou o argumento e decretou as prisões, destacando o perigo iminente da atuação dos envolvidos.
O episódio expõe não apenas a ousadia criminosa de Vorcaro e seus comparsas, mas também a permissividade de autoridades e instituições diante da infiltração do crime organizado. O editorial alerta que a condescendência na investigação só agrava os sintomas e adia o enfrentamento da ameaça, que corrói as bases da República. O caso Master, com sua rede de intimidação, espionagem e cooptação, é descrito como um escândalo tentacular que exige apuração rigorosa e transparente. Com informações são do Folha de S.Paulo.


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