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| Foto: Reprodução |
Moradores de Petrolina enfrentam transtornos provocados pelo grande volume de chuvas registrado nos últimos dias. A situação foi relatada por ouvintes durante participação no programa Nossa Voz, que recebeu diversos registros de alagamentos em bairros da cidade. Um dos pontos que chamou atenção foi a Lagoa de Jatobá, que transbordou na manhã desta quinta-feira (5).
De acordo com dados da Agência Pernambucana de Águas e Clima, nas últimas 72 horas choveu cerca de 120 milímetros em Petrolina, o que equivale a aproximadamente 120 litros de água por metro quadrado. Somente nas últimas seis horas, foram registrados 56 milímetros, o equivalente a 56 litros de água em cada metro quadrado da cidade, volume considerado elevado em um curto intervalo de tempo.
Lagoa de Jatobá transborda e pista começa a alagar
Um morador relatou que a situação mudou rapidamente em poucas horas na região da lagoa.
“Eu passei cedinho para a academia e estava tudo normal. A pista estava seca e a lagoa completamente vazia. Quando voltei agora há pouco, a lagoa já estava cheia e sangrando. A água começou a passar para a pista e já tem lama e água acumulada. Os carros ainda estão conseguindo passar, mas com dificuldade. Do jeito que está enchendo rápido, talvez daqui a pouco nem carro consiga mais atravessar, porque o nível da água continua subindo”, contou.
Moradora relata esgoto voltando pelos ralos e casa alagada
No bairro Cosme e Damião, uma moradora da Rua 15 disse que a água invadiu a residência e causou prejuízos. Segundo ela, o problema começou quando o esgoto retornou pelos ralos.
“Os esgotos começaram a entrar dentro da casa da gente. Estourou pelos banheiros e pelos ralos. Tivemos que tentar tampar tudo para impedir que a água suja da rua entrasse, mas não teve jeito. A água continuou voltando e invadiu a casa. A gente fica desesperado porque tenta tirar a água com balde, faz barreira na frente da garagem, mas quando a chuva é muito forte não adianta”, relatou a moradora Edilva Silva, que vive na Rua 15.
Ela contou que precisou retirar móveis do lugar para evitar perdas maiores.
“Minha casa está toda alagada. A geladeira tive que colocar dentro do quarto porque estava molhando tudo. A cama está molhada e o guarda-roupa também. Não sou só eu que estou nessa situação, vários vizinhos estão com prejuízos. Até agora ninguém apareceu aqui para ajudar, só promessas”, afirmou.
Segundo os apresentadores do programa, a Rua 15 já registra problemas recorrentes de alagamento em períodos chuvosos, o que levanta questionamentos sobre drenagem e escoamento da água na área.
Asfalto cede em avenida e motoristas são alertados
Outro ponto de atenção é na Avenida Daisy Kelly Pereira Gomes, ligação com a Avenida 7 de Setembro, onde moradores relataram que o asfalto começou a ceder por causa da força da água. Motoristas foram orientados a redobrar a atenção ao trafegar pelo trecho.
Prefeitura monitora áreas críticas e mobiliza equipes
O secretário de Serviços Públicos e Defesa Civil de Petrolina, Alison Oliveira, disse que o município enfrenta um volume de chuva considerado fora do padrão histórico para poucos dias.
“De fato registramos números alarmantes. Só na última noite tivemos chuvas acima de 50 milímetros em poucas horas. Para um solo que já estava encharcado, isso gera muitos transtornos. A tendência é que ultrapassemos 200 milímetros de chuva acumulada em apenas sete dias. Para se ter uma ideia, a média histórica anual da cidade é de cerca de 420 milímetros. Ou seja, em uma semana já teremos praticamente metade do que normalmente chove durante todo o ano”, explicou.
O secretário afirmou que equipes da prefeitura estão trabalhando desde a madrugada para reduzir os impactos.
“Estamos nas ruas desde o início da chuva monitorando as áreas críticas. Todas as secretarias estão envolvidas nesse trabalho, desde a Defesa Civil até assistência social, saúde e infraestrutura. Nosso objetivo é agir rapidamente para minimizar os transtornos e evitar que novos pontos de alagamento se agravem, principalmente se houver novas chuvas nas próximas horas”, disse.
Segundo ele, em algumas regiões da cidade a solução emergencial tem sido o uso de bombas para retirar a água acumulada.
“Existem áreas da cidade onde só conseguimos resolver a situação com a instalação de bombas para ajudar no escoamento da água. Já utilizamos esse sistema em bairros como Santa Luzia, Minérios e Vale do Grande Rio, e estamos deslocando equipes para outros pontos que também apresentaram acúmulo de água. A intenção é agir o mais rápido possível para que, se voltar a chover, a cidade não esteja com água acumulada”, afirmou.
Defesa Civil orienta população
A Defesa Civil orienta que moradores acionem o telefone 153 para registrar ocorrências como alagamentos, árvores caídas ou risco estrutural em vias públicas.
Enquanto isso, a população segue acompanhando o nível da água em lagoas, canais e ruas da cidade, na expectativa de que o volume de chuvas diminua nos próximos dias.


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